Pedagogia Sistêmica: os transtornos de aprendizagem e comportamento

Uma das grandes dificuldades por que passam as famílias hoje em dia é quanto a crianças que não vão bem na escola.

Tais crianças recebem freqüentemente rótulos diversos, conferidos a elas por médicos, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos, psiquiatras, professores e outros.

Os nomes são variados: “disléxicos”, “síndrome do déficit de atenção”, “hiperatividade”, “lento para o processo pedagógico”, ou simplesmente “encapetado” ou “difícil”.

Este artigo não visa propalar uma panacéia ou solução imediatista e fácil para algo que é grande, complexo e multifacetado. Mas busca ser uma singela contribuição onde pais e professores possam buscar alguma orientação, quando talvez as ferramentas já utilizadas não tenham funcionado tão bem.

Aprendizagem, comportamento e atenção: uma questão complexa

Tais nomes e diagnósticos remetem a um repertório de medidas de apoio e ajuda, medicações e outros tipos de propostas de solução cujos resultados são muitas vezes desanimadores.

No rastro de tantos rótulos e pontos de vista sobre as “causas” do problema, encontramos pais desesperados e professores impotentes frente a algo que muitas vezes é tomado como “sem solução”, mesmo que isso não seja dito abertamente.

No silêncio de sua alma, os professores e os pais freqüentemente se acusam mutuamente pelo problema da criança, gerando uma postura que dificulta ainda mais o diálogo claro e a busca de soluções possíveis.

Pedagogia Sistêmica – de onde vem este nome?

Para compreender a Pedagogia Sistêmica, é necessário antes falarmos sobre Bert Hellinger, um filósofo alemão que nos traz um pensamento inovador no que diz respeito às relações humanas.

Para ele, ao vir ao mundo no seio de uma família, não herdamos somente um patrimônio genético, herdamos as crenças e os comportamentos que são válidos neste sistema familiar.

Há muitas pesquisas em andamento buscando a comprovação científica de que essas crenças e comportamentos possam ter influências no próprio genoma, ou seja, elas modificam inclusive as nossas células.

Nossa família é um sistema, um campo de energia no interior do qual, nós evoluímos e crescemos. Cada um, desde seu nascimento, vai ser uma parte deste todo e precisa ter o seu lugar, independente de quem seja e como seja. Todos fazem parte.

Segundo Hellinger, há em todos nós, além do inconsciente individual e do inconsciente coletivo, um “inconsciente familar” que atua em cada membro da família a qual pertencemos. Para ele, existes 3 leis básicas que atuam ao mesmo tempo em nossas vidas: O PERTENCIMENTO, A ORDEM E O EQUILÍBRIO. 

Se agimos de acordo com estas Leis, a vida e os relacionamentos fluem, os objetivos se desenvolvem e nossos resultados são direcionados para “o mais“. Se há desrespeito às Leis (mesmo que de forma inconsciente), somos expostos às consequências: a perda da saúde e dos bons relacionamentos e o fracasso nos objetivos de vida.

Pedagogia Sistêmica – uma nova metodologia para a educação

O trabalho pioneiro de Bert Hellinger e de outros que seguiram seus passos e aplicaram sua metodologia ao campo da educação e das escolas tem mostrado como os acontecimentos familiares remotos ou próximos afetam profundamente a alma da criança.

Como a experiência de outros e a nossa tem demonstrado, muitas vezes as dificuldades escolares estão muito ligadas a processos familiares de fundo, muitas vezes a uma exclusão de um membro da família.

Segundo Décio Oliveira, médico e constelador, em sua experiência de consultório e ambulatório com atendimento a camadas pobres da população, o pai é figura freqüentemente excluída ou gravemente desvalorizada.

“Acreditamos que o emprego da abordagem de Bert Hellinger ao contexto escolar possa conduzir a soluções de aconselhamento factíveis e simples, embora nem sempre fáceis. Seria vantajoso que se pudesse buscar criar meios de tornar tal abordagem disponível ao pessoal que trabalha com aconselhamento pedagógico e familiar nas escolas de todos os níveis, pois se trata de abordagem simples, não concorrente com outros métodos e que exige poucos recursos para ser implementada.”

Dr. Décio Fábio de Oliveira Júnior, médico e constelador

Nossa família também vai junto para a escola

“As constelações familiares me conduziram a uma nova compreensão dos alunos. Vi como estão inseridos em suas famílias e a sua lealdade a elas. Também reconheci as forças que empregavam constantemente para ligar sua vida familiar à escola e percebi que essas forças poderiam ser frutíferas. Na verdade, isso acontece quando nós, professores, abrimos nosso coração às famílias, permitindo-lhes entrar em nossas salas de aula como uma presença invisível e permanente. As ideias fundamentais de Hellinger, do que significa estar inserido no contexto familiar é que me levaram inicialmente a usar a ideia sistêmica em minhas aulas”.

Depoimento da Professora Marianne Franke, autora do livro “Você é um de nós”, onde relata suas experiências de Constelações Familiares com os alunos, dentro de sala de aula.


Escrito por Dr. Décio Fábio de Oliveira Júnior, médico e constelador; com notas de Ana Garlet, co-fundadora dos Programas do Educando.

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